Nosso segundo dia em Montevidéu começou sem chuva, mas com muito frio. Como já tínhamos reservado uma visita à uma bodega de vinhos para às 16h, resolvemos ir conhecer o Mercado Agrícola de Montevideo - MAM. O mercado tem mais de 100 anos de história, passou por um recente processo de revitalização, foi declarado monumento histórico nacional e seu prédio, todo em estruturas de ferro e madeira, e seus vitrais, compõem um projeto arquitetônico lindíssimo. Ao todo, são cerca de 107 estandes, com venda de frutas, verduras, legumes, carnes, peixes, produtos exóticos, produtos típicos uruguaios, produtos importados, farmácia, uma loja incrível de chás e uma praça de alimentação de encher os olhos!!! Ah! Também tem um estande da cervejaria Mastra e um grande painel de Villaró! Recomendo muito a visita!!
Como ainda era cedo e estávamos sem fome, fomos conhecer o Jardim Botânico. Esse não é um típico passeio turístico em Montevidéu, já que o lugar é basicamente frequentado por moradores do bairro e dos arredores e, é claro, estudantes de botânica, já que o espaço abriga mais de mil espécies vegetais oriundas de diferentes lugares do mundo e também porque ali funciona um centro de atividades científicas, de formação e informação sobre botânica.
Lindo lugar, não acham? O Jardim Botânico é localizado no bairro do Prado, uma área super agradável, muito arborizada e repleta de casarões da antiga aristocracia do século XIX. Ali pertinho fica a Residência Presidencial, que é aberta ao público no mês de setembro, em comemoração ao Dia do Patrimônio. Também nesse bairro estão o Museu Nacional de Belas Artes Juan Manoel Blanes e o Jardim Japonês, ambos na Avenida Millán.
O frio foi apertando e a fome também, então voltamos para Pocitos, para almoçar e corremos para o hotel, para não nos atrasarmos para a van que nos levaria até a Bodega Bouza.
Apesar de ser um passeio super concorrido e que deve ser agendado com antecedência, éramos só eu e minhas amigas na van, o que foi uma excelente oportunidade para fazermos mil perguntas para a nossa motorista/guia Vitória. Durante todo o trajeto, ela foi nos falando sobre como é a vida em Montevidéu, sobre política, saúde e educação, sobre a economia e, também, nos dando dicas sobre a vida noturna da cidade!!
A Bodega Bouza fica à 25 km do centro da cidade e é uma das maiores e mais visitadas vinícolas do país e seus vinhos já receberam vários prêmios internacionais. Há quatro horários de visitação: 10:30, 11:30, 13:30 e 16h e você pode escolher fazer só a visita guiada, ou fazer a visita + uma degustação de vinhos, ou ainda a visita + degustação + almoço, ou simplesmente almoçar. Nós fomos para a visita guiada das 16h, seguida de degustação.
A propriedade é linda e cheia de bichinhos (ovelhas, burros, patos, galinhas e até pavões) e, como chegamos um pouquinho antes do nosso horário, ficamos caminhando e apreciando o lugar. Às 16h em ponto, nosso guia Nicolás reuniu todo o grupo e nos encaminhou para os vinhedos, onde nos contou sobre a história da bodega e sobre o processo de cultivo e seleção das uvas. A bodega cultiva cinco tipos de uvas: Albariño, Tempranillo, Chadornay, Merlot e Tannat (uva típica do Uruguai) e produz cerca de 100 mil garrafas por ano, o que não é uma quantidade enorme, comparada a outras bodegas de renome, mas, segundo nosso guia, a família Bouza optou por produzir em menor escala, para poder manter a qualidade de cada etapa da produção.
A colheita da uva é feita entre fevereiro e o início de março e, em agosto, ocorre a poda dos galhos. Como nossa visita foi em outubro, as videiras ainda estavam baixinhas e quase sem folhas, mas mesmo assim, o visual já era encantador. Nicolás nos explicou que de cada três cachos de uva que nascem, dois são descartados para que esse cacho remanescente concentre todos os nutrientes e sabores. Ah! E toda colheita é feita manualmente.
Depois da plantação, fomos encaminhados para um prédio em forma de igreja, mas que é o prédio onde é feita a fermentação e o envase dos vinhos e que, no sub-solo, abriga a adega climatizada. Lá estão armazenados cerca de 300 barris de carvalho (carvalho francês e carvalho americano) onde os vinhos irão descansar por meses, até estarem pronos para o envase e comercialização.
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| Nosso guia, Nicolás. |
Por fim, o guia nos levou até um outro galpão que guarda uma outra paixão da família Bouza: carros, motos e alguns outros objetos antigos, todos funcionando perfeitamente!!! Muito legal, até para quem não entende nada de carros como eu... rsrsrs
Depois da visitação fomos para o restaurante da bodega, para nossa degustação. Cada família ou grupo de amigos tem sua própria mesa e quatro tipos de vinho são servidos. Um sommelier, que no nosso caso era o Luís Bouza, nos apresentou cada um dos quatro tipos de vinho e nos sugeriu armonizações para cada um deles. A degustação de vinhos é acompanhada por uma tábua de queijos e frios e por pães deliciosos, produzidos no próprio restaurante. Estava tudo absolutamente perfeito e delicioso!!!
Ao final, Vitória já nos aguardava com a van para voltarmos para o hotel, ainda à tempo de pegarmos o pôr do sol do rooftop!!!
Foi aí que surgiu uma dúvida: como encerrar um dia tão gostoso como esse? Abrimos o mapinha gastronômico que nosso concierge havia nos dado e escolhemos jantar no restaurante italiano Da' Pentella, numa rua próxima ao hotel!! O nome pode soar meio estranho, mas acredito ser o nome da família, de origem italiana! O lugar é um bistrô especializado em comida italiana e mediterrânea, e tem um ambiente incrível e acolhedor. O atendimento é excelente e, mesmo sem haver reservado, conseguimos uma mesa!
Antes mesmo de fazermos nosso pedido, o garçom nos trouxe uma cesta de pães maravilhosos e quentinhos, deliciosos e cheirosos, acompanhados de pastinhas. Minhas amigas pediram massa e eu, um risoto de salmão, tudo acompanhado de um bom vinho.
Foi tudo tão bom e tão agradável, que até me esqueci de fotografar... Me perdoem! Terei que voltar lá mais uma vez, só para fotografar... rsrsrs
No dia seguinte, um domingo, acordamos cedo e partimos em direção à famosa feira de Tristán Navaja, um clássico da cidade. Mas essa feira não é para todo mundo, para todo tipo de turista. Nem todos vão sair encantados de lá. Essa feira centenária reúne de tudo um pouco, plantas, frutas, verduras, legumes, animais, quinquilharias, livros, antiguidades, roupas novas e usadas, empanadas, churros, mate, e se estende por quarteirões e quarteirões.
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| Instrumentos cirúrgicos antigos |
Posso dizer que a feira foi menos do que eu esperava e mais do que eu imaginava, ao mesmo tempo. Menos porque talvez eu tivesse a expectativa de encontrar uma feira como a de San Telmo, em Buenos Aires, só que gigante. Mais porque ela é original e divertida! Dava para fazer um estudo antropológico!!!
A parte mais legal, repleta de antiguidades interessantes e sebos, fica entre as calles Uruguay e Payssandú.
Depois de andarmos muito, saímos dali e fomos para uma outra feira, no parque Rodó. O parque é um dos maiores e mais antigos de Montevidéu e fica no bairro de Punta Carretas (o mesmo em que nos hospedamos), bem em frente à Rambla Presidente Wilson e à playa Ramirez. Seu nome é uma homenagem a José Enrique Rodó, escritor uruguaio. Essa é uma das principais áreas de lazer da cidade, que lota nos finais de semana. É uma delícia andar nessa enorme área verde, repleta de estátuas e fontes. O parque é dividido em dois, um arborizado, todo gramado, com lago e um castelinho (que é uma biblioteca infantil), e outro que é um parque de diversões, repleto de brinquedos para crianças e adultos e barraquinhas de comidas. Anexo ao parque também está o Museu de Artes Visuais.
Passamos a tarde no parque! Primeiro visitamos a feira, muito grande e movimentada, com barracas de roupas, calçados, couro, quinquilharias, lenços, instrumentos musicais e mais um monte de outras coisas, e depois de almoçarmos, passeamos por sua área verde e nos misturamos aos moradores, aproveitando o sol e curtindo o ritmo mais calmo dessa cidade encantadora e de sua gente!
Resolvemos voltar para o hotel à pé, numa caminhada de uns dez quarteirões e paramos para um lanche no restaurante e cafeteria Camelia, que tem uma proposta sustentável muito bacana!
À noitinha, passamos pelo Punta Carretas shopping para comprar doce de leite, balas Sugus e alfajores, no supermercado Disco. Também passamos na Daniel Cassin, uma grife uruguaia muito bacaninha, com acessórios interessantes e com preços bem amigáveis. Voltamos para o hotel para fazer as malas, já que nosso vôo estava marcado para a manhã do dia seguinte.
Após o café da manhã, nossa van chegou e nos levou para o aeroporto. O caminho foi todo feito pelas ramblas e foi uma excelente forma de dizer até breve para essa cidade que conquistou meu coração!
Algumas pessoas me perguntaram, quando voltei, se dá para conhecer Montevidéu em um final de semana. Sinceramente, dá para ver a cidade, principalmente se você contratar um city tour, mas, de coração, Montevidéu merece mais do que um final de semana. A cidade e, principalmente, seus moradores são encantadores. Seu ritmo, seu jeito, seu astral valem que você invista mais do seu tempo!!!
****************************************************************************************************** By M.




































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