quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Roteiro de viagem nacional: Serra do Cipó (MG) – Trilha da Cachoeira da Farofa e uma pedestre inesperada

Há um bom tempo que queríamos voltar ao Parque Nacional da Serra do Cipó. A última vez foi há uns 10 anos atrás. Pouquíssimas pousadas e restaurantes davam o toque de um lugar quase inexplorado.
A oportunidade de voltar surgiu e lá fomos nós.
A região passa por uma grande estiagem,o que ocasiona uma baixa e até o desaparecimento de alguns rios. Mas era pegar ou largar. Fui!
Saímos do Rio pela BR-040, para Belo Horizonte, a tempo de curtir 02 dias na cidade, Parque Mangabeiras (visitem. É lindo!), Palácio das Artes e a Feira Hippie de BH. A distância entre Belo Horizonte e a Serra do Cipó é de 100 km pela MG-010, passando por Lagoa Santa e depois, sentido Conceição do Mato Dentro.
O Parque localiza-se nos municípios de Morro do Pilar, Santana do Riacho, Jaboticatubas e Itambé do Mato Dentro e faz parte do Maciço do Espinhaço.
Quando chegamos ao “vilarejo”, quantas mudanças! Mais de 60 pousadas e hotéis, restaurantes e até um mini-shopping, o Aldeia Cipó. Todos situados ao redor das entradas do Parque.
Assim que chegamos fomos a uma agência de turismo a Bela Geraes , conversamos com Tiago que  nos indicou os passeios que poderíamos fazer pela agência e nos deu também uma indicação sobre uma pousada, que ele considerava boa e com um preço justo.
Os passeios com a agência nós não fizemos (ótimos, mas queríamos fazer outra atividade), mas a dica da pousada foi utilizada.A Pousada Flor de Pequi, uma pousada  da rede Eco Vip, bem perto dos bares e restaurantes.A funcionária Luciene nos atendeu super bem e muito solícita.Recomendo a pousada não só porque é confortável e bem localizada , mas pelo alto astral da funcionária.
Fizemos o check-in  e ainda deu tempo  de irmos a Portaria na Retiro( são duas as entradas para o Parque: Portaria Retiro e a Portaria Areias, nesta última, se localiza o escritório do ICMBio), ver se ainda havia alguém do parque ou trilheiro,para maiores informações sobre as trilhas, rios e cachoeiras.E como já sabíamos, nos informaram  sobre o nível baixo dos rios, em decorrência da falta de chuvas e que as cachoeiras não “estariam a todo vapor”.
 Era fim de tarde e resolvemos ver o por do sol no mirante localizado na MG-010, sentido Serro. Lindo ver as montanhas, de várias tonalidades, a vegetação salpicada nelas, os pássaros voando sem se importar com nossas presenças. Muitos, mas muitos canários da terra, mas também sanhaços e outros que não saberia nomear.
Aos poucos também foram chegando outras pessoas, mas todas respeitando o silêncio, a paz do local. Estávamos todos como o mesmo propósito, desfrutar a beleza daquela paisagem. O sol não se fez de rogado, foi desaparecendo aos poucos, dourado-róseo (existe?).

-“Tchau sol! Até manhã sol!” .
Fomos a seguir para a pousada,traçar o nosso roteiro do dia seguinte,afinal  só teríamos um dia.Mas o que resolvemos foi, ir para a Portaria Areias e lá definir qual das duas trilhas das cachoeiras seguir.
Na portaria do Parque pode-se alugar bicicleta ou cavalo para percorrer as longas caminhadas em sua grande maioria, planas.Somos caminhantes de carteirinha, então...
A Portaria Areias possui uma ótima estrutura para os visitantes. Área de estacionamento, bebedouro, banheiro, duchas e profissionais super simpáticos e atenciosos que nos disponibilizaram um folheto com os roteiros e nos deram as informações que necessitávamos – Cachoeira Capão dos Palmitos, 5 km de caminhada. Trilha considerada de nível médio, com 3 km de subida que exige certo esforço e a Cachoeira da Farofa, 8 km de caminhada, com um nível de dificuldade moderada em área plana.

Ambas, assim como os outros atrativos, com trilhas demarcadas. Como curto muito uma farofa ,kkk.






Inicio da trilha
Começamos nossa caminhada por volta das 10h, com céu limpo, sem nuvens e muito sol.  As trilhas das cachoeiras começam juntas e na primeira bifurcação, à esquerda, a trilha para a Farofa. Um pouquinho antes, a Lagoa da Capivara, com uma matinha circundando, vale a pena ver e, além disso, são só 200 m .











São três os fluxos de  água que temos que cruzar :o Córrego das Pedras, quase na metade da trilha, o Ribeirão Mascates e quase chegando na cachoeira o riacho formado pelas águas da  Cachoeira da Farofa.Todos com águas cristalinas e piabas.No ICMBio nos informaram que as águas podem ser bebidas sem susto, mas levamos nossas garrafas de água.Paradas em todos eles, para observar o máximo e fotografá-los.
Durante toda a trilha, sinalizações e marcos de concreto indicando quanto falta para se chegar à cachoeira e na outra face do marco, para o retorno, quantos quilômetros faltam para chegar à portaria.










 Na trilha, a Lagoa Comprida, uma outra parada para mais um clique!


Pelo trajeto se passa por zonas descampadas, areal e matas,por pequizeiros floridos, 
Flor de pequizeiro
bromélias ,canelas- de- ema gigantes. Infelizmente não vi as sempre- vivas (logomarca do Parque), nem a orquídea endêmica da região Constantia cipoensis, as duas florescem em outros meses.

















No finalzinho da trilha uma pequena mata se abre, para descortinar a visão da cachoeira e junto a ela, senti o perfume da árvore mais cheirosa que conheço, a almécega. 



Tronco da almécega impregnado de resina cheirosa





Nossa, que maravilha, ver a Cachoeira da Farofa  sentindo o perfume da planta.Não poderia haver uma recompensa mais gratificante.















A cachoeira forma uma piscina natural de 20 metros de diâmetro, com águas tão limpas  que se vê o fundo profundo.A queda formava pequenos arcos-íris,que lindeza ! Mesmo sem entrar na água (cachoeira tem água muito fria , para meu gosto) , ficamos um bom tempo apreciando aquele cenário.








Descansando um pouco


A volta foi um pouco cansativa, pois o sol estava muito forte. O total da  caminhada foi em 6h, porque paramos várias vezes e ainda ficamos um bom tempo na cachoeira.
Muito boa a caminhada e da próxima vez ,uma outra cachoeira a desvendar!
Ah,ficou faltando uma coisa, explicar o título.Na estrada que dá acesso à cachoeira,vejam  quem cruzou nosso caminho, sem pressa de atravessar – uma jiboia de quase 2m, bem gordinha. Acho que ela precisava fazer uma caminhada.



















****************************************************************************************By K.



Horário de funcionamento do Parque:
De 8h às 16h e a saída do parque até às 18h
Telefone:
(31) 3718-7469/7484
E-mail:parma.serradocipo@icmbio.gov.br

O que não pode faltar na sua mochila:
Boné ou chapéu,
Protetor solar,
Repelente,
Água mineral,
Barra de cereal,
Fruta fresca  ou fruta desidratada,
Máquina fotográfica,
Roupa de banho,
Canga ou toalha pequena

Vá de tênis ou bota com solado emborrachado.
Dê preferencia a calça comprida de moleton ou legging, para evitar plantas espinhosas e/ou carrapatos.
Não há bar ou restaurante na área do Parque, não esqueça de levar um lanche e água.














http://www.pousadaflordepequi.com.br/

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